Domingo, Dezembro 06, 2009

1/4

Um cão com sede,
quando não sabia que a tinha;
Um gato que saliva,
pelo fiambre que não sabia que existia...

Filmaste os olhos
Fotografaste o sexo,
Desejaste,
Possuíste por 1/4
porque o resto não deixaste vir

Domingo, Novembro 29, 2009

O que é que isso interessa?

"Entre dentro de si.Investigue a razão que o leva a escrever, veja se ela lançou raízes no lugar mais recôndito do seu coração, pergunte se morreria caso fosse impedido de escrever."
R.M. Rilke

Sim, na hora mais silenciosa da noite, pergunto:
- "Tenho de escrever?"

porque não o faço sempre,
o que interessa,
interessa é o ribombar das palavras
se me saem por palavras
sons
gestos
imagens,
num copo, ou mil que ergo!
No olhar
O que é isso interessa?
O que interessa é que são elas,
elas que me acompanham -
ou enlouquecem -,
na rua despida
na cama vazia
no carro a mil

e às vezes,
traduzem-me,
mas sempre arranhando a essência do ser,
quase sempre,
como um papel amachucado
onde o mais belo dos poemas tentou ser escrito,
porque somos cegos e surdos,
Por isso,
O que é que isso interessa?

Solidão

Por detrás das palavras
uma boca
A língua, a garganta

Por detrás das palavras
um rosto
olhos, pestana

ouço o som,
escuto
e nada me parece mais nada

apenas um tremendo vazio
nesta falta de tesão
entre o que dizes e fazes

e assim
por detrás das palavras-
e dos rostos e dos olhos -
apenas me resta a solidão.

Terça-feira, Novembro 24, 2009

Password!!!

Ai, nem acredito, consegui, finalmente, recuperei a palavra passe!!!2 meses, uau, por momentos pensei que não ia conseguir mandar mais postas, aqui, no meu primogénito, o verdadeiro!!!

MUAHHHHH
Tou contente

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Imagens que ficam

Esperamos, sorrimos...
Apertava-nos o coração só de estarmos

Tocavamo-nos ao de leve
ou abraçavamo-nos com intensidade

uma noite
dançamos com as estrelas
e o nevoeiro era a nossa cortina

de nós só o paraíso podia advir

Beijámo-nos, amámo-nos
como deuses
como animais

O limite era o céu
e o mínimo o olhar de rubis

Exigimos, desonfiamos
como selvagens, cheios de razão
como se o amanha estivesse ali,
sempre, para sempre

e tudo o que criamos desfaleceu
tudo o que tocamos...

e o amor acabou
num caixote do lixo,
com um saco preto

Segunda-feira, Junho 29, 2009

às vezes...

...esta mão que me revolve as entranhas
às vezes, sinto os olhares de "estranhos" a ler o meu peito
a abanar o meu ser,
a puxar
a fazer gritar...

às vezes sinto quase que um desejo carnal por estes seres
mais do que um desejo quente
e puramente sexual
é a vontade de os penetrar,
total e exaustivamente,
de também lhes ler a alma

sussurar-lhes aos ouvidos
e perguntar:
"como me fazes estar?"
"porque é que o teu olhar me despe e liberta?!
"porque me atiça, faz vibrar..."

às vezes, sinto este amor puro,
este desejo incestuoso
e adormeço
com um sorriso no olhar,

acordo com o coração a trotar,
mais perto da boca do que do peito,
alimento-me da luz
e peço ao universo para me levar

como se mil orgasmos eclodissem
depois de brutalmente possuída...

Quinta-feira, Junho 25, 2009

às vezes...

...esta mão que me revolve as entranhas
às vezes, sinto os olhares de "estranhos" a ler o meu peito
a abanar o meu ser,
a puxar
a fazer gritar...

às vezes sinto quase que um desejo carnal por estes seres
mais do que um desejo quente
e puramente sexual
é a vontade de os penetrar,
total e exaustivamente,
de também lhes ler a alma

sussurrar-lhes aos ouvidos
e perguntar:
"como me fazes estar?"
"porque é que o teu olhar me despe e liberta?!
"porque me atiça, faz vibrar..."

às vezes, sinto este amor puro,
este desejo incestuoso
e adormeço
com um sorriso no olhar,

acordo com o coração a trotar,
mais perto da boca do que do peito,
alimento-me da luz
e peço ao universo para me levar

como se mil orgasmos eclodissem
depois de brutalmente possuída...

Quinta-feira, Junho 18, 2009

Poetas e poesias

Tinha barbas brancas, um sorriso largo e, talvez, um pouco tímido - talvez um certo receio de ser julgado. Seja como for, neste estado febril indefinido, recordo este homem de fortes contraste, em todos os sentidos: t-shirt preta,cabelos alvos; cheiro intenso, comerciante, homem do povo embrenhado e receoso das palvras que a sua mente obriga a escrever - "Secalhar hoje vou ler um poema, é de um anónimo".
Porte robusto, sábio nas palavras, experimentado na vida. Evidente que, que passados 2sg de conversa não foi difícil perceber que o anónimo era ele.
Envergonhado do seu poema, calou-nos a todos: "e porque a poesia para o ser tem de tocar todos os pontos da humanidade"; "não gosto de ler poesia, só gosto de uma poetisa, a Florbela".
Não me supreendeu. Surpresa foi me ter confessado, depois de umas palavras trocadas,uns poemas ouvidos, umas músicas intercaladas, "Não escrevo mais porque tenho medo! Tenho uma tendência para o suícidio, acho que temos todos, e isto mexe muito comigo, deixa-me fora de mim...".

Se este homem não é um poeta, porque não se acha, está enganado quando me disse que eu tenho algo a dizer...
Entre uma mesa negra, um candeeiro improvisada e uma parede alucinante com tons de encarnado...